- EU NÃO CONSIGO VER! - gritou a menina, ansiosa.
- Já disse para se acalmar!Deixe-me primeiro mover o excesso de terra - falou o garoto, esforçando-se para mover o acúmulo de terra que obstruía a passagem.
Estavam próximos ao Rio Shannon que circundava o Condado de Westmeath, região centro-norte da Irlanda, a qual se gabava por possuir uma paisagem deslubrante, repleta de montes suaves, campos bem tratados e zonas selvagens com turfeiras. Após alguns minutos, o menino havia removido toda a terra impertinente e ambos puderam visualizar o que havia atrás da muralha que interditava o caminho: mais terra.
A medida em que avançavam nas precárias remoções manuais de terra, viam-se livres para diferir alguns passos a diante, mas logo já se deparavam com outra enorme muralha.
- Eu nunca vi isso antes - disse o menino, limpando o suor da testa. - Acho que é melhor voltarmos para casa.
- De jeito algum! - exasperou a menina. - Caminhamos todo este trajeto para desistirmos no primeiro CeilLubra que encontramos? Eu não irei voltar.
- O que você falou Kelly?
- Falei que não irei voltar, e não adianta...
- Não, antes disso! O que você disse que era? - interrompeu o menino, assustado.
- O quê foi que eu disse, Liam? Alguma palavra que não pode ser pronunciada?- a menina disse em um tom mais baixo, esquadrinhando com cuidado a sua volta.
- Não. Você disse que isso se tratava de um CeilLubra.
- Oh meu Deus! - gritou a menina, levando as duas mãos à boca. - De novo, não!
O menino fitou a irmã por alguns segundos. Sabia que ela apresentava esporadicamente surtos de amnésia, devido a um acidente há dois anos, no qual sofreu uma grave lesão na parte inferior da cabeça.
- O que eu disse?
- Você disse que não iria desistir no primeiro CeilLubra que você encontrasse.
- Como se eu soubesse o que é isso... Liam, o que é esse tal de...Cilubra?
- CeilLubra.
- É, isso.
O menino hesitou em responder. Uma série de lembranças percorriam a sua cabeça, como um filme acelerado. Precisava sair da onde estavam o mais rápido possível, sem deixar qualquer vestígio. Não poderia colocar a vida da irmã em risco.
- Eu não sei do que se trata. Agora, vamos embora.
- Eu não irei.
- Ah, você vai sim! - disse o menino, suspendo a garota pelas pernas e a colocando em seu ombro, suportando com paciência os socos inofensivos às suas costas.
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